Abuso Sexual Infantil

Fórum alerta para aumento nos casos de abuso sexual infantil durante pandemia 

“84% dos casos de abuso sexual infantil são feitos por uma pessoa conhecida, próxima da criança”.  A informação é de Abner Morillas, psicólogo clínico e doutor em psiquiatria, ao abrir o Fórum de Prevenção e Tratamento Contra Abuso Sexual Infantil. 

O palestrante alertou ainda que o número de casos aumentou durante a pandemia, período em que as famílias passaram a conviver por mais tempo em razão da quarentena instaurada por causa da COVID-19.

Morillas trouxe dados de pesquisas recentes de entidades em parceria com o Ministério da Justiça, ao falar em evento realizado na Igreja Batista Novo Tempo nesse sábado (12). 

O psicólogo ressaltou a importância do tema ao considerar a necessidade de proteção às crianças em relação aos altos índices de violência sexual. “A cada 11 minutos uma criança, de 0 a 14 anos, é abusada sexualmente no Brasil” acrescentou Morillas. 

O evento teve o objetivo de fomentar o diálogo nas famílias, escolas e igrejas e reuniu cerca de 70 pessoas, com a participação de membros de sete igrejas. Segundo Morillas, o abuso provoca na vítima, quando adulta, algum tipo de transtorno. 

“O abuso rouba a voz da pessoa e a leva ao silêncio. Nós, como igreja, temos que ser esse espaço de segurança para que as pessoas possam falar. Temos que ser instrumento que viabilize cura na alma das pessoas”.

Tráfico humano – Outra palestrante, Jorgelina Burgos, alertou para o tráfico humano e como as crianças são alvo de máfias internacionais. “É preciso ouvir e dar atenção às nossas crianças”, destacou. 

Jorgelina é missionária em ações de resgate, acolhimento e reinserção social em vítimas de tráfico humano, exploração e abuso na Europa, África e América Latina. 

O fórum contou ainda com Caroline Pragana, psicóloga clínica, escolar e de aprendizagem, e líder do Ministério Infantil da IBNT. 

Caroline considerou a igreja, que também tem a função socioeducativa para a população, pode ser uma importante porta de acesso a esses assuntos para a sociedade. “Quanto mais falamos sobre esses assuntos, mais protegemos as crianças”, alertou.

O fórum “Abuso Sexual Infantil – Tratamento e Prevenção” realizado recentemente na IBNT alertou os participantes sobre a realidade brasileira quanto ao tema, além de abordar a respeito do tráfico humano. 

Jorgelina Burgos, missionária e uma das palestrantes do evento, trouxe relatos sobre crianças raptadas e utilizadas como escravas sexuais pela máfia internacional de tráfico humano, em locais como Europa, América Latina e África.

A palestra teve presença de aproximadamente 70 pessoas de diferentes atividades na esfera social e que falaram um pouco sobre o evento.

Para Paulo André, 36 anos, estagiário no setor judicial, “a palestra foi importante, pois dessa forma é possível identificar crianças que passam por essas circunstâncias e, ainda, possíveis irmãos que passaram por esse problema e tem dificuldade de se expressar”.

Segundo Márcia Prado, que atua na área de Educação Infantil, “as pessoas têm medo de falar ou pensam que isso não acontece perto de nós. Então se a gente instrui e previne, podemos evitar esse tipo de coisa”. 

Márcia atua como coordenadora de colégio e também trabalha com as crianças no ministério infantil da igreja. “É possível perceber quando uma criança está sofrendo emocionalmente. Se entendermos como ajudar, será possível sanar muitas coisas nos caminhos dessas crianças”, comentou. 

Adriana Nagy, enfatizou: “É extremamente importante falar sobre abuso, a igreja precisa amadurecer sobre essas questões. É necessário defender as pessoas vulneráveis, e se tornar um ambiente seguro onde as pessoas sintam-se confortáveis para se abrirem sem medo de serem expostas”

O promotor de justiça Leandro Rocha, ressaltou que a iniciativa da igreja é importante, visto que o assunto é um tabu e é relevante que se discuta esse tipo de problema na sociedade. “ É algo que afeta todas as camadas da sociedade e isso também impacta as igrejas. Hoje tivemos pessoas extremamente gabaritadas alertando sobre esse tema”.